Reflexões… :: A história de Iwa

30 de Dezembro, 2017
Como um hipopótamo lida com um campo de flores.
Anhangá

Conheci uma história indígena muito interessante: a história de Iwa.

Ora sua história é misturada à de Anhangá (Añangá), ora à de Jurupari (Îurupari).

Certa vez os caçadores de uma aldeia encontraram um bebê largado na floresta. Ele tinha a pele branca e feições diferentes das que eles estavam habituados. O levaram para a aldeia, onde foi adotado por uma mulher respeitada.

Ele recebeu o nome de Iwa (Iûa), “imprestável”. Ao crescer, em seu corpo cresciam mais pelos do que das outras pessoas (como um europeu?). Iwa também tinha muita afinidade com os animais.

Devido a sua aparência e comportamento estranhos, Iwa era discriminado, ninguém queria estar com ele, e ele passou a preferir a companhia dos animais da floresta, fazendo amizade com um cervo de pelos brancos.

Como é natural em culturas silvestres, os índios começaram a desconfiar do animal de pelagem diferente, acreditando tratar-se de um espírito maligno, e resolveram sair à caça para livrar a aldeia daquela criatura “das trevas”.

Sabendo disso, Iwa foi na frente para tentar salvar o amigo, mas como resultado acabou assassinado pelos caçadores junto com o cervo.

Qual a moral dessa história? Para os índios serve para explicar o surgimento de Anhangá ou Jurupari, de acordo com o folclore local, mas para nós fica uma moral bem diferente.

Algumas pessoas tentem a angelicar os povos aborígines, crendo na pureza e bondade do ser humano em seu estado selvagem, mas na verdade o aborígine é o que é: ser humano, com todos os defeitos do ser humano, e o ser humano não aceita o diferente, perseguindo e destruindo.

Vamos destruir o que não entendemos!

Cada um de nós deve se policiar para exercitar a tolerância e a empatia, tentando entender o diferente.


Crédito da imagem Bruxaria Brasil no Imgrum.

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