Reflexões… :: Oito cordas

9 de Abril, 2017
Como um hipopótamo lida com um campo de flores.
Schecter C-8 Deluxe

Tenho feito há alguns meses dois experimentos em paralelo: ➀ comprei uma guitarra de oito cordas, e ➁ afinei meu violão de nylon em open-C.

Como expliquei em outro artigo, comecei com uma afinação de oito cordas muito própria, um misto de Dad-Gad com afinação para música clássica, mas logo fui obrigado a optar por uma afinação mais tradicional, a de jazz.

Depois de vários meses usando esta afinação, percebi um inconveniente: é muito fácil se perder em qual região você se encontra, qual a afinação da(s) corda(s) onde você está tocando no momento. É claro que senti essa dificuldade logo no começo, mas acreditei que, como tudo na música, fosse apenas questão de prática. Mas o fato é que, após meses tocando assim, a dificuldade não desaparece.

Isso veio de encontro ao outro experimento: a afinação open-C. Após um bom tempo me habituando a essa afinação, tenho a sensação de que é muito mais simples usá-la, pois qual corda você está usando determina apenas a oitava, enquanto a casa determina a nota naquela oitava.

Tive então um insight! Ficará muito mais simples usar a guitarra de oito cordas usando uma afinação aberta. Minha ideia é usar a seguinte afinação:

prima
49Hz
[G1]
65,4Hz
[C2]
98Hz
[G2]
130,8Hz
[C3]
196Hz
[G3]
261,6Hz
[C4]
392Hz
[G4]
329,6Hz
[E4]

A ideia é ter à mão sempre pares de cordas em quinta, um para cada oitava; mais uma corda mais grave para acessar regiões mais graves sem ter de mudar de posição no braço; mais uma corda aguda, ainda que mais grave que a 2ª, com a terça maior do grau regente da casa.

A bitola seria:

prima
.064".046".036".026".016".011".008".009"

Ainda não posso fazer esta mudança, já que preciso terminar as gravações do projeto atual de minha banda, Sækla Saklōrum, e a nova afinação seria uma complicação extra desnecessária. Porém, para os próximos trabalhos, certamente usarei esta afinação.

Música