Reflexões… :: Um dia na pele de um totalitarista

9 de Outubro, 2018
Um hipopótamo num campo de flores.

Um totalitarista

Hoje tive um dia na pele de um totalitarista.

Em meio a muitas camisetas brancas, tenho algumas poucas coloridas e uma camiseta preta. Hoje vesti esta camiseta preta para levar meu filho à gastropediatra.

Não tive intenção alguma, apenas peguei uma camiseta aleatória – e desta vez foi a preta.

Porém camisetas pretas têm sido usadas pelos círculos mais violentos e animalescos de fascistas que apoiam Bolsonaro, o “Hitler bananas”.

Logo na saída de casa percebi que pessoas que me tratam com total desprezo, que geralmente ignoram minha existência, me cumprimentraram com certa satisfação – pessoas com quem eu mesmo faço questão de não ter contato algum.

Chegando à gastro, meu filho gosta de contar. Toda vez que ele chegava ao número 17, alguém vinha alegre dizer “Ele já sabe em quem votar!”, ou alguma imbecilidade equivalente.

Fosse apenas isso já seria perturbador o suficiente, mas teve mais…

Chico estava correndo pelo shopping comigo correndo atrás. Em um momento ele correu para fora do shopping, e fui atrás dele.

Lá fora havia uma senhora negra, de óculos, um pouco gordinha. Ela não reparou no Chico correndo a minha frente, mas me viu a passos largos indo na direção dela. A reação da senhora foi dar três passos para trás. Não foi um, não foram dois… foram TRÊS passos! E fazendo cara de pânico.

Essa é a reação que um homem branco vestido de preto causa em uma senhora negra.

O Fascismo dominou o Brasil, o que ficou claro pela assustadora quantidade de 46% de votos fascistas no primeiro turno domingo passado. Vamos a uma pequena lista pra ajudar a identificar o Fascismo em seus primeiros sinais, adatada do texto de uma placa vendida aos visitantes do Museu do Holocausto em Washington, escrita por Lawrence W. Britt:

  1. Nacionalismo forte e crescente;
  2. Desprezo pelos Direitos Humanos;
  3. Escolha ou criação de um inimigo como causa unificadora;
  4. Exautação do militarismo;
  5. Sexismo desenfreado (homem deve agir como “homem”, e mulher não deve se meter em “assuntos de homem”);
  6. Controle das mídias de massa (igrejas evangélicas, por exemplo);
  7. Obsessão por segurança nacional (dispersão do medo);
  8. Confusão entre governo / política e religião;
  9. Proteção das grandas corporações;
  10. O poder dos trabalhadores é suprimido;
  11. Deprezo pelo conhecimento, por intelectuais e pelas artes;
  12. Obsessão por crime (criminalização de tudo de que discordam) e punição;
  13. Corrupção e nepotismo desenfreado;
  14. Eleições fraudulentas.

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