Reflexões… :: Escalas anemitônicas

1 de Abril, 2017
Como um hipopótamo lida com um campo de flores.
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Há um tempo fiz uma postagem sobre a diferença entre escalas anemitônicas e semitônicas, porém de modo muito superficial. Agora é hora de aprofundar um pouco o assunto.

As escalas anemitônicas costumam possuir baixa gravidade, como por exemplo a escala de segundas maiores, de gravidade nula. No entanto pretendo ser um pouco mais ortodoxo nesta publicação e abordar escalas de maior gravidade.

As escalas anemitônicas de maior gravidade são as pentatônicas. Observação: nem toda escala pentatônica é anemitônicas.

Pentatônicas

Escalas pentatônicas são escalas de cinco graus, geralmente resultado da supressão de dois graus da escala diatônica, mas não exclusivamente. Surgiram na China baseadas em estudos da teoria de Pitágoras pelos músicos daquela região.

A primeira escala pentatônica acredita-se ter sido a escala yo. Acredita-se que a característica de modo maior ou menor muito bem definida em todos os modos da escala diatônica incomodava os orientais devido a diferenças culturais. Para resolver isso, os chineses removeram da escala os graus muito característicos.

Então foram suprimidos o sétimo grau, que caracterizava demasiadamente a tônica, e o terceiro grau, que marcava o modo como maior.

Temos então:

escala Yo

Seu uso costuma ser adagio, explorando semínimas e colcheias. Appoggiaturas duplas crescente-decrescente são comuns nos intervalos de tom e meio:

evolução na escala Yo

A mesma pode ser explorada da sexta para a tônica.

Modulando para menor

Já para ouvidos ocidentais, a ausência de uma definição de modo maior ou menor pode ser incômoda, mas basta uma modulação de grau para resolver isso.

Se modularmos pelo segundo grau, ganhamos uma terça menor – a quarta é a terça menor da segunda – e uma sétima da dominante. Temos então a pentatônica menor:

pentatônica menor

Esta escala é muito usada no rock’n’roll.

evolução na pentatônica menor

Pentatônica maior

Porém o rock foi muito influenciado pelo blues, que também foge do modo bem definido, mas usando uma abordagem diametralmente oposta à oriental: a escala de blues faz uso das duas terças, menor e maior.

Devido a essa influência, no rock também encontramos a mesma abordagem, porém um tanto diferente: a escala de blues é extremamente complexa, e poucas pessoas a dominam de verdade; já o rock optou por simplesmente alternar entre duas escalas pentatônicas, uma menor e outra maior.

A pentatônica maior faz a mesma jogada da menor, partindo da escala oriental e modulando por um grau que gere uma terça. No caso da maior, é modulado pela quarta, cuja terça maior é a sexta, presente na escala oriental.

Assim, a pentatônica maior fica:

pentatônica maior

Por si só essa escala já rende algo:

evolução na pentatônica maior

Agora combinando as duas coisas:

evolução sobre os dois modos

Conclusão

Pentônicas são ótimas referências para o entendimento de anemitonia, no entanto há também escalas petatônicas semitônicas, como a escala sakura, acossemitônica, mas isso é matéria para outro momento.