Reflexões… :: Escalas anemitônicas e semitônicas

14 de Fevereiro, 2017
Como um hipopótamo lida com um campo de flores.
𝄞

Vou dar uma pincelada sobre escalas anemitônicas e semitônicas, portanto esta será uma postagem muito sucinta. Os exemplos serão dados usando dó como nota de descanço, portanto façam as transposições que desejarem.

Recomendo que, ao ler este artigo, tente executar cada uma das escalas, ascendente e descendentemente, depois brinque com a escala para familiarizar-se.

Escalas anemitônicas

Escalas anemitônicas são escalas que não possuem intervalo de semitom. São em geral escalas de difícil execução, pois geralmente carecem de gravidade.

O primeiro exemplo de escala anemitônica será a escala diminuta simples, formada pela simples sucessão de terças menores:

diminuta simples

É uma escala bastante incomum e pouco usada, de poucas notas e sem gravidade.

O segundo exemplo é a escala de segundas maiores:

segundas

Essas duas escalas são extremamente teóricas e sem qualquer gravidade. Vamos a exemplos mais comuns.

A terceira escala anemitônica aqui será a escala yo, uma pentatônica japonesa muito usada, de baixa gravidade e sem indicação clara de modo (maior ou menor), porém muito expressiva e de sonoridade folclórica:

escala yo

Uma escala relativa à yo é a pentatônica menor, muito usada no rock:

pentatônica menor

Nessa modulação, a pentatônica já apresenta um pouco mais de gravidade e definição modal.

Escalas semitônicas

Escalas semitônicas são aquelas que apresentam ao menos uma ocorrência de semitom, e são dividads em dois tipos: acossemitônicas e cossemitônicas.

Escalas acossemitônicas

São escalas que apresentam um ou mais intervalos de semitom não consecutivos.

O exemplo mais simples de escala acossemitônicas é a escala diatônica:

escala diatônica

Um exemplo de escala acossemitônicas sem gravidade é a escala de diminutas sobrepostas, de difícil utilização, mas muito bonita se bem executada:

diminutas sobrepostas

A próxima escala acossemitônicas é a escala in ou pentatônica Sakura, também de origem japonesa, um pouco mais de gravidade que a escala yo e sem definição de modalidade:

pentatônica Sakura

Escalas cossemitônicas

São escalas que apresentam intervalos de semitom consecutivos, o que é chamado informalmente na música popular de “sequência cromática”.

Podemos citar a escala superlócria bebop:

superlócria bebop

De fato todas as escalas bebop são cossemitônicas.

A última escala cossemitônicas deste artigo é a escala de blues, que possui algumas peculiaridades de execução:

  • A evolução da terça menor para a maior deve ser sempre executada ascendentemente, mesmo quando a escala é executada descendentemente.
  • A segunda deve ser evidada, executada apenas para dar mais expressividade eventualmente, geralmente em complemento à sexta.
  • Devido a sua característica eventual, muitos autores não consideram a segunda parte da escala, mas apenas uma nota de apoio.
  • O mesmo vale para a sétima sensível (7M), preferindo-se sempre a sétima da dominante. A sensível é usada como passagem entre a sétima da dominante e a tônica seguinte.
escala de blues

Conclusão

Nem de muito longe isso esgota o assunto, não passamos nem perto de citar a mínima amostragem de escalas anemitônicas e semitônicas.

No entanto o objetivo deste artigo era demonstrar a diferença e as principais classificações, creio que isso foi alcançado.

Provavelmente escreverei novo artigo com tablaturas das escalas aqui citadas.