Reflexões… :: Full-stack

28 de Novembro, 2016
Como um hipopótamo lida com um campo de flores.

Este artigo teria mais a ver com o Kodumaro do que com as Reflexões de ℳontegasppα e Giulia C., no entanto estas são opiniões pessoais minhas, portanto, minhas “reflexões”.

O novo hype é o desenvolvedor full-stack. Esta razoavelmente nova denominação se refere aos desenvolvedores com competências em todas as áreas de desenvolvimento: infraestrutura, interpretadores/compiladores, back-end e front-end, termo eventualmente usado para um subconjunto, geralmente back-end e front-end.

Se você pesquisar no Google, encontrará uma incomensurável lista de odes ao desenvolvedor full-stack.

Mas não estou aqui para fazer coro com esse mantra irracional.

O desenvolvedor full-stack é como um pato: nada, anda, voa e canta – porém não nada direito, não anda direito, não voa direito, nem canta direito.

Imagine um médico full-stack: ele é “especialista” em cardiologia, oncologia, pediatria, dermatologia, proctologia, urologia, ginecologia, otorrinolaringologia, anestesiologia, genética, gastroenterologia, radioterapia, endocrinologia, geriatria, oftalmologia, nutrição, pneumologia e psiquiatria. Como é bem sabido, se tudo é “especial”, nada o é.

Na melhor das hipóteses, esse médico full-stack é um ótimo cardiologista (ou oncologista, ou pediatra, ou nutricionista, etc.), e é um grandíssimo meia-boca frustrado em todo o resto.

Esse é o desenvolvedor full-stack.

O desenvolvedor é um bom front-end, ou um bom back-end, que se vê pressionado pelo mercado a ser proficiente em áreas fora de sua competência.

Porém, pela repetição e pressão das empresas e comunidades, ele acredita que é obrigado a chupar cana, comer farofa e assobiar ao mesmo tempo. Assim ele divide seu tempo em tentar aprender mais coisas do que é capaz em vez de se dedicar aos conhecimentos que lhe trarão crescimento profissional.

Ao não conseguir, ele começa a dedicar mais tempo do que deveria à profissão, sacrificando sua vida pessoal e tornando-se um workaholic – que é a condição patológica de obsessão/compulsão pelo trabalho.

É aí as empresas acham que lucram: transformam potenciais bons profissionais, que se tornam caros ao realizar seu potencial, em máquinas descartáveis dedicadas ao trabalho, que gerarão muito retorno para a empresa em curto ou médio prazo, e, quando se tornariam caros, podem ser substituídos pela nova geração de “salvadores da informática”.

Isso também não significa que você desenvolvedor back-end precise ser uma mula em front-end, ou que você de front-end seja um total analfabeto de infraestrutura. É apelas uma questão de foco, conhecimentos multidisciplinares são complementares e ajudam a manter uma visão ampla sobre tecnologia.

Minha recomendação é: não caia nesse conto do vigário! Invista em sua carreira, acredite em seu potencial e nunca permita que os outros ditem o que você deve ou não fazer – nem de carreira, nem em sua vida pessoal. Aliás, get a life!

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